Contrate praticamente qualquer empréstimo — financiamento de carro, financiamento imobiliário, empréstimo pessoal — e algo frustrante acontece no primeiro ano: você paga parcela após parcela, e o saldo devedor mal se move. Não é impressão sua, e o banco não está trapaceando. É assim que a amortização funciona — e, uma vez que você entende o mecanismo, pode usá-lo a seu favor.
Uma parcela, dois trabalhos
Cada parcela mensal de um empréstimo amortizável faz dois trabalhos. Primeiro, ela paga os juros acumulados sobre o saldo naquele mês; só o que sobra reduz o saldo em si. No início do empréstimo, o saldo está no seu ponto máximo, então a cobrança de juros também está no máximo — e a sobra, a parte que de fato encolhe a dívida, é pequena.
À medida que o saldo cai, a cobrança de juros cai junto, e uma fatia cada vez maior da mesma parcela fixa vai para o principal. É por isso que os últimos anos de um empréstimo parecem rápidos, enquanto os primeiros parecem uma caminhada na lama. Num financiamento imobiliário típico de 30 anos, pode levar mais de 18 anos até que metade da parcela esteja indo para o principal.
Lendo uma tabela de amortização
Uma tabela de amortização é simplesmente o registro mês a mês desse processo: parcela, parte de juros, parte de principal e saldo restante. Olhar a tabela do seu próprio empréstimo é genuinamente revelador — dá para ver exatamente onde fica o ponto de virada e exatamente quanto do seu dinheiro a coluna de juros vai consumir ao longo do prazo completo.
Nossa calculadora de empréstimos gera essa tabela para qualquer empréstimo e permite baixá-la como planilha, para você conferir os números de qualquer credor antes de assinar qualquer coisa.
Três formas de vencer a tabela
Primeira: amortizações extras, principalmente no começo. Dinheiro pago diretamente contra o saldo no primeiro ano continua economizando juros todos os meses pelo resto do empréstimo. Até pequenos arredondamentos se acumulam em economia real.
Segunda: um prazo mais curto. A parcela mensal de um empréstimo de 15 anos é maior que a de um de 30 anos, mas está longe de ser o dobro — porque uma parte muito menor dela é juro. Se couber no seu orçamento, a economia ao longo da vida do contrato é dramática.
Terceira: refinanciar quando as taxas caem de forma significativa. Substituir um empréstimo caro reinicia o relógio, mas, a uma taxa menor, a coluna de juros encolhe — rode as duas versões numa calculadora e compare o total de juros, não apenas a parcela mensal.
Erros comuns com empréstimos amortizáveis
Comparar empréstimos apenas pela parcela mensal é o maior deles — um prazo mais longo quase sempre produz uma parcela menor, o que pode esconder uma conta de juros totais muito maior. Sempre peça (ou calcule) o total de juros e o total a pagar, não apenas o valor mensal.
Um segundo erro é fazer pagamentos extras sem instruir o credor a aplicá-los ao principal. Alguns administradores de contrato, por padrão, guardam valores extras como crédito para a parcela do mês seguinte em vez de reduzir o saldo hoje — ligue e confirme, ou verifique o extrato, para que o pagamento extra realmente acelere a tabela.
Um terceiro é ignorar multas por quitação antecipada. Um pequeno número de contratos cobra tarifa por pagar antes do prazo ou pagar a mais — leia as condições antes de se comprometer com uma estratégia agressiva de amortização do principal.